Eu e amor temos dois sobrinhos-netos (sim, minha gente, 2 sobrinhos-netos - gêmeos! - filhos do sobrinho mais velho do meu marido), além de 4 sobrinhos "normais". Os gêmeos, de 2 anos, são os bebês que eu mais acompanho de perto, desde bem bebezucos, e são tão apegados à nós como nós a eles. Nossa convivência, tão próxima, intensa e deliciosa, tem me ensinado muito mais do que eu jamais pensei: sobre mim, sobre minhas ideias sobre a maternidade e, principalmente, sobre tudo que eu achava que não sabia e, afinal, sei um pouquinho, sim.
Eu sempre quis um parto normal. Quer dizer, normal, não! Natural! Sempre, desde que me entendo por gente, tive esta certeza e nem sei de onde veio. Só sei que era o que fazia sentido na minha cabeça e até hoje é assim (em tempo - minha mãe teve a mim e a minha irmã de parto normal, ambos rapídíssimos, sem anestesia e, principalmente sem traumas!). Neste final de semana, fomos, eu e marido, para o interior. Em uma conversa com o meu pai, já de madrugada, só nós três, ele me perguntava o porquê de todo o bafafá ao redor da doulas e sua proibição nas maternidades do Rio. Não entendia porque elas eram tão imprescindíveis assim. Expliquei, expliquei e, no meio de tudo isso, comentei sobre minhas preferências sobre o parto (ele não estava presente no meu nascimento e nem no da minha irmã. O único parto que assistiu foi o do meu irmão, filho dele com minha madrasta - de cesárea eletiva).
Confesso que ele não entendeu muito bem o porquê das minhas escolhas. Foram as perguntas de sempre: mas pra quê você quer passar por isso, se a medicina está tão avançada? Respondia, cheia dos argumentos e estatísticas de como o parto normal é mais seguro, de como é menos invasivo e etc. e tal (maiores informações neste
post UTILÍSSIMO da Nana). Ele entendeu, mas não compreendeu, especialmente a parte em que eu disse que não queria anestesia. Querer parto normal tudo bem, mas querer sentir dor? Aí já é demais para ele. Ao que ele concluiu: "Acho muito bonito você querer encarar tudo isso pelo seu filho, é uma prova de amor imensa. Mas, se isso não for possível e ele tenha que nascer de cesárea, você vai amá-lo menos?".
É óbvio que ele sabia a resposta e queria mesmo é me deixar menos frustrada caso não seja possível ter o parto que
sonho, almejo desejo - e que há grande chance de não conseguir ter devido à trombofilia (mas já estou pesquisando sobre o assunto e achei médicos que afirmam que isto não é indicação para cesárea! IUPII! Mas isso é assunto para outro post).
E toda esta
enrolação historinha é para dizer sobre a mãe que eu quero ser. Eu poderia (e posso) ter uma cesárea? Claro que sim! Além de ser mais prático, eu não teria que passar por longas sessões de explicações sobre o porquê de escolher um parto normal. Aliás, a grande maioria das mulheres que eu conheço (quase todas as minhas amigas já são mães) tiveram cesáreas, têm filhos perfeitos, lindos, felizes e saudáveis e são super-mães - exemplos vivos para mim! Nunca, jamais, questionei suas escolhas e nunca o faria. Acho que parto é um assunto muito pessoal e controverso, e cada mulher deve fazer o que achar melhor para ela e seu bebê.
E EU quero passar pela experiência do parto natural. Acho que essa experiência pode ME ajudar a entender, logo no começo, que tem um serzinho totalmente dependente de mim saindo dali, de dentro de minha barriga e que minhas escolhas o influenciam diretamente. Vejam bem, não julgo quem escolhe ter uma cesárea (as mães mais dedicadas que conheço tiveram seus bebês assim) - como já disse, essa é uma escolha muito pessoal. Mas, para MIM, este é um assunto muito importante e intrinsecamente ligado às características que pretendo ter como mãe.
Eu não tenho medo da dor do parto (por enquanto - pode ser que isto mude na hora! Hahaha!), pois acredito que estarei fazendo o melhor pelo meu bebê. E esta é a mãe que eu quero ser. Uma mãe que encara as consequências de suas escolhas - inclusive se essas escolhas significam uma chance menor de complicações para mim também. Não a melhor, a mais perfeita, a que erra menos, mas uma mãe. Uma mãe que tenta acertar, que aceita as diferenças, que, assim como aprendi com os gêmeos, entenda que muitas escolhas vêm da intuição. Uma mãe que cria brincadeiras, que corre, que pula, que canta, que inventa. Uma mãe que sabe que o não é tão, ou ainda mais, importante que o sim. Quero ser uma mãe que sabe a importância da rotina, mas que também sabe quebrá-la às vezes. Uma mãe que se preocupa com a alimentação, mas não radicaliza - nada! Uma mãe que tem o respeito e a admiração do filho por ser, e não por impor.
Por fim, quero ser uma mãe que aceite estar errada, inclusive sobre estas minhas certezas. O importante é que quero ser uma mãe que, sempre, priorize o bem estar dos filhos. Isto, para mim, é a definição da mãe que eu quero ser.