sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

3 meses de Bento

3 meses!


Alguém faz o tempo parar, por favor? Cadê meu rn que estava aqui? Já chegamos até a famosa marca dos 3 meses, meu Deus!

Sempre vi as mamães recentes torcendo para chegar logo nesta fase que, teoricamente, trará o fim das cólicas e o desenvolvimento (ainda!) mais rápido dos nossos pequenos. Eu não. Não quero acelerar nada, pular fase nenhuma. Quero um futuro inteiro para o meu pequeno, mas tenho toda a paciência do mundo para esperá-lo. Quero mais, mesmo, é curtir cada segundinho desse presente tão lindo que estou vivendo, do meu maior presente.

Tudo é tão gostoso, tão delícia! Claro que tem os momentinhos difíceis, as crises de chatice e tal. Mas uma coisa é verdade: parece que cada fase que chega é ainda mais gostosa que a anterior. Cada aprendizado novo, cada habilidade desenvolvida, cada crescimento. É muito, mas muito amor. Quando achamos que não dá para amar mais vem um novo dia e tcharam! O amor se multiplicou mais uma vez. Acho que assim será para sempre - portanto, desculpem, meninas, mas vão ter que aguentar muita melação minha ainda!

E vamos às novidades deste mês:

- Passou na consulta de 3 meses com a pediatra sábado, dia 18/01 e pesou 5.700 kg (na verdade foi 5.750 kg, mas ela descontou 50 gramas da fralda) e mediu 60 cm! Mais um quilinho pra coleção - e o braço da mamãe percebeu bem essa engorda! Rs! Está engordando uma média de 32 g por dia, uma média ótima.

- Fez sua primeira viagem de carro, no Natal, como contei no post da BC da semana retrasada (e não postei a BC da semana passada, shame on me!).

- Assistiu à Galinha Pintadinha pela primeira vez e ficou fissurado! Foi na casa da vovó, quando outra criança estava assistindo, mas ele adorou. Não pretendo fazer disso um hábito, mas de vez em quando não faz mal, né?

- Ganhou um tapetinho de atividades e adora os brinquedos vermelhos que ficam pendurados nele. Balança os bracinhos e as perninhas, conversa, mas só por uns 10 minutos. Depois cansa e quer fazer outra coisa - sem paciência igual o papai dele.

- Continua melhorando na questão sono - principalmente na primeira "parte" da noite. Costuma dormir até umas 2 e pouco, ou até 3 e meia, dependendo do dia. Depois acorda mais uma ou duas vezes. Outro dia consegui colocá-lo no berço pela primeira vez. Fiquei toda serelepe achando que conseguiríamos finalmente estrear este móvel ainda tão inútil por aqui, até que... Pernilongos feiosos apareceram por todo lado e eu não tenho mosquiteiro pro berço. Fuén, fuén, fuén... Resolvi pecar pelo excesso e tirei ele de lá, o que me rendeu mais uma horinha ninando o pequeno. Mas tudo bem, uma hora dá certo! Por enquanto ele continua dormindo no moisés do carrinho no quarto dele, pelo menos até a primeira acordada.

- Realmente não pegou a chupeta, mesmo com algumas tentativas mais intensas no final do ano. E achei melhor assim. :) Mas também não pega a mamadeira, o que me deixa um pouco preocupada caso eu precise fazer alguma coisa sem ele.

- Está cada vez mais bonzinho no carrinho enquanto acordado, apesar de só o deixarmos lá quando vamos comer ou algo assim. Outro dia ficou quietinho no bebê conforto observando a mamãe passar aspirador na casa.

- Adorou a sessão de historinhas outro dia e rolou de rir enquanto a mamãe lia "O Pequeno Príncipe" para ele. Só não sei se foi pela entonação na voz ou pelo marcador de livro colorido :p

- Perdeu seu primeiro body. Macacões ele já tinha perdido vários, mas outro dia coloquei um body fofo que a titia Victória deu (eu amo a titia) e o botão abriu sozinho no primeiro movimento dele.

- Tá conversador que só! É angu pra lá, gol pra cá, sempre fazendo o biquinho mais lindo de todo o universo.

- Ri muito, e começou até a fazer barulhinhos, tipo uma mini gargalhada. Mas o mais bonitinho é que, às vezes, essas risadinhas se transformam em choro e ele não sabe se ri ou se chora.

- Continua tendo um choro muuuuuito forte e alto, principalmente quando ele está com dor e grita - e graças a Deus as cólicas são quase inexistentes neste ponto, portanto este choro é cada vez mais raro. (EDITADO: retiro estas últimas palavras aí, de raro este choro não tem nada!).

- Tomou a vacina dos 3 meses dia 20 e chorou só na hora. E a mamãe conseguiu ficar na sala firme e forte, sem derramar nenhuma lágrima! Já está risonho, espero que continue assim, sem reação.

- Descobriu a existência da Catarina, nossa york, e fica de olho nela de vez em quando, enquanto brinca no tapetinho de atividades.

- Descobriu que tem mãos e agora elas vivem na boca!

- Descobriu que a mamãe existe e está completamente fissurado por mim. Me olha por onde eu vou, muitas vezes só se acalma no meu colo, me dá sorrisos sem fim e conversa um monte, balançando os bracinhos e perninhas para mim. Pergunta se eu quase morro de amor?

- Tá numa babação sem fim, inclusive fazendo mil e uma bolhinhas de cuspe. Sei que é normal, mas observamos um pontinho branco na gengiva de baixo. Será dente?

- Começou a sorrir, olhando para mim, enquanto mama, e é a coisa mais linda que pode existir. Além disso, durante a mamada, fica mexendo o bracinho e puxando minha blusa e a alça do meu sutiã.

- Tem perninhas e bracinhos elétricos que se agitam todos quando nos vê e conversamos com ele e que são capazes de derretes nossos corações! <3

sábado, 18 de janeiro de 2014

Projeto mamãe - Roupinhas importadas

Oi amores!

Não sei se todas sabem, mas desde que perdi meu primeiro baby, decidi que pararia de trabalhar por um tempo quando engravidasse novamente - e assim foi. Trabalhava em uma empresa de pesquisa e consegui manter um certo nível de atividade depois que saí de lá, fazendo freelas nesta mesma área. Adoro trabalhar nisto, faço meus próprios horários e ganho meu dinheirinho trabalhando de casa, o que é ótimo. Massss... eu dependo de demanda, né? Continuo disponível, até peguei um projeto quando o Bento tinha 15 dias de vida, mas as coisas andam bem devagar eu tenho passado quase que sem trabalho.

Amo cuidar do Bento e essa é minha maior prioridade, mas é sempre bom ganhar nosso próprio dinheirinho, né? Pensei e pensei em alguma coisa que eu pudesse fazer para gerar uma renda extra, mas que não ocupasse tanto o meu tempo. Conversamos bastante marido e eu e chegamos a uma ideia - e vocês podem me ajudar nisso!

Explico. Marido ganhou uma viagem para Nova Iorque da empresa (e vai sozinho, ia ser muito difícil ir com o Bento - depois escrevo um post a respeito). Aí pensamos em comprar roupinhas e acessórios de bebê e revender aqui. A ideia é comprar algumas coisas aleatórias, mas também possíveis encomendas específicas. E aí eu queria ver com vocês o que acham. Vocês seriam minhas clientes? Acham que dá pé? Rs!

Obrigada, queridas!

Beijocas

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

BC - O primeiro Natal do Bento

Bom, então que eu sugeri o tema da BC da semana passada e ainda não escrevi a respeito, né? Sorry, amores! Tô atrasada, mas tô aqui. Tenho boas razões para andar sumida, sendo que a principal é que minha querida Gilda (que me ajuda com a limpeza aqui de casa) tirou um mês de férias. Junte isso à crise dos 3 meses que se instaurou de vez no meu pequeno e vocês já imaginam a cena. Caos, a gente vê por aqui! O que está me salvando é que marido saiu do emprego e está em casa por um tempo, então ele fica bastante com o Bento para eu poder manter a casa minimamente decente. Há males que vêm para o bem, né?

Agora, sobre o nosso Natal. Nós sempre passamos esta data em Ribeirão Preto, com a minha família e já havíamos combinado que iríamos para lá este ano também. Mas eu estava com medo, confesso. Pensei e repensei a este respeito mil vezes, mas, por fim, resolvemos ir. Fiz uma listinha do que eu teria que levar para o Bento e lá fomos nós. Praticamente uma mudança. Pega bebê conforto, moisés, roupas, mantas, paninhos de boca, sabonete, fraldas, lencinhos, lençóis, etc., etc., etc. sem fim - e isso que só íamos ficar por uns 2 ou 3 dias. Leva mamadeira e leite materno congelado pra viagem (depois conto sobre minha experiência de ordenhar LM manualmente). Tudo pronto.

Nos planejamos para sair bem cedinho, porque fomos com o carro do irmão do marido que não tem ar e nesse calor ia ser tenso. 6h15 da manhã saimos. No geral, a viagem foi tranquila. O Bento dormiu quase que o percurso todo. Paramos uma vez só no posto, com ele dormindo mesmo, para encontrar minha vó e meus tios que moram em Americana e queriam vê-lo e foram lá nos encontrar. Ficamos por um tempo, amamentei e aproveitei para colocar o leite, que já estava descongelado, na mamadeira.

Andamos mais um pouco e ele abre o chororô. Coloco a mamadeira na boca dele e... nada! Ele continua chorando a plenos pulmões, não quer nem saber daquele pedaço de plástico na boca dele, mesmo com o leitinho da mamãe. A solução? Monto em cima do bebê conforto e amamento ali mesmo! Olha aí como é bom ter peito grande. Rs!

Quando chegamos lá, o quarto do meu irmão, que é onde ficaríamos, estava todo prontinho nos esperando. Uma banheirinha em cima da cama com um presentinho dentro (roupinha de ano novo), uma roupinha com os dizeres Meu Primeiro Natal, um sapatinho de cerâmica com florzinhas dentro e um bilhetinho todo carinhoso dando as boas vindas ao nosso pequeno. Fiquei até emocionada, foi muito lindo!

Chegamos já no dia 24, então logo fomos nos arrumar para as festanças da noite. Saímos e, chegando na casa da bisa emprestada ele dormiu o tempo todo. No dia seguinte ele ganhou presentinhos de manhã, tomamos café e estava tudo bem. Mas aí fomos almoçar e... Jesus! Acho que juntou o restinho da reação da vacina que ele havia tomado dia 20, com a viagem, com um salto de desenvolvimento, com o calor insuportável e o menino ficou inconsolável, tadinho. Chorou muito, nada resolvia. Fomos pra casa do meu pai, demos um banhinho, mamá, e ele foi melhorando com o tempo. Acho que as mudanças na minha alimentação também refletiram nele e as crises de cólica, que já estavam bem raras por aqui, apareceram de novo. Mas a vóva fazia massagem e elas melhoravam.

Logo passou o salto de desenvolvimento e ele ficou uma gostosura! Risonho e conversador que só! A vóva batia altos papos com ele, era angu o tempo todo. A coisa mais linda! Muito gostoso sentir todo o carinho da família, todo mundo babando no pequeno. Estava tão gostoso que nós, que nos programamos para ficar só uns 3 dias, acabamos passando o ano novo lá também. Foi só lavar umas roupinhas e tudo certo :)

Na hora de ir embora, foi choro pra todo lado! Deixamos cartinhas para cada um agradecendo pelo carinho e seguimos nosso caminho, pela primeira vez, na estrada como uma família de 4! No geral, nosso primeiro Natal foi uma delícia. Nosso maior presente já foi dado, o que mais poderíamos querer?

sábado, 21 de dezembro de 2013

2 meses de Bento


Hoje meu pequeno completa dois meses de vida. Nossa, que coisa esquisita é essa. Ao mesmo tempo que penso que passou muito rápido, tenho a impressão de que ele esteve aqui, na minha vida, desde sempre. Amor demais.

Ele está cada dia mais lindo, gostoso e gorducho. Muda tão rápido! Ele ainda é tão novinho, mas não sinto mais que tenho um RN em casa. Já começo a perceber suas particularidades, preferências, seu ritmo - realmente nos entendemos cada dia melhor.

É muito louco como um amor, já tão infinito, pode crescer mais e mais a cada dia. Enquanto escrevo, na sala, ele dorme no moisés no meu quarto - e parece tudo tão vazio! Sinto um ímpeto constante de ir lá pertinho, ver seu rostinho, sentir seu cheiro, ouvir sua respiração. E estamos só a um cômodo de distância. Freud explica.

Bom, mas vamos lá aos fatos marcantes do mês:

- Teve muitas crises de choro neste mês, principalmente nas últimas semanas. Teve uma noite que ficamos, marido e eu, nos revezando e tentando de tudo para que ele parasse de chorar e dormisse - o que só conseguimos às 4h30 da manhã! Chegamos a encher o balde e foi por pouco que ele não ganhou seu primeiro banho da madrugada. Filho, agradeça às propriedades mágicas do sling!

- Passou em consulta com a pediatra dia 14/12 (antecipado por conta das festas de final de ano). Já cheguei comentando com ela que achava que tinha alguma coisa acontecendo com ele por conta de todo esse chororô. Ela disse que o segundo mês de vida é difícil mesmo para os bebês, por conta dos picos de crescimento. De qualquer forma, como ele anda vomitando e regurgitando muito, e percebo que isso o incomoda, ela prescreveu um remedinho antroposófico para ele. Agora são dois: um para refluxo e outro para cólica.

- Aliás, descobrimos que suco de laranja / limão era o grande causador das cólicas dele. Cortei eles da minha alimentação e agora essas temíveis dores que o perturbavam quase não aparecem mais. Mesmo assim, ele ainda se contorce bastante para soltar pum e fazer cocô, mas nada que uma massagenzinha com as perninhas não resolva (e ele adora!) - mesmo que seja no meio da noite.

- Tem dormido cada vez melhor, principalmente no primeiro sono da noite. Normalmente embala das 20h00, mais ou menos, às 1h30. Depois disso é uma incógnita. Rs!

- Começou a imprimir seus próprios horários, principalmente para o sono. Começou a dormir mais cedo e acabou ficando alguns dias sem banho por conta disso.

- Ainda não consegui estabelecer uma rotina para ele, principalmente durante o dia. Mas estamos evoluindo.

- Está medindo 56cm e pesando 4.640kg. Engordou um quilo em menos de 1 mês! Isto equivale a 42g por dia, somente com o leitinho da mamãe.

- Está cada dia mais risonho e interagindo com a gente. É a coisa mais linda e gostosa do mundo!

- Não chora mais para trocar a fralda - pelo contrário, agora gosta e ri um monte quando o coloco no trocador, principalmente quando canto "O Sapo Não Lava o Pé" para ele. Aliás, ele adora música e que cantem para ele.

- Continua chorando quando sai do banho, no entanto.

- Adora o pai dele. Às vezes, de madrugada, fica olhando para o pai, que está capotado, e rindo.

- Começou a prestar atenção nos brinquedos e gosta de olhar para o móbile do berço, que a Titia Paula deu. Ri até para os bichinhos pendurados, especialmente o coelho amarelo e o urso azul.

- Os olhinhos continuam claros e lindos. Espero que puxe o papai e continuem assim!

- Tive minha primeira crise de desespero com ele essa semana, na segunda-feira. Que dia difícil, nada resolvia, ele chorava muito, não dormia, e eu chorando junto. Ainda bem que passou!

- Aprendeu a gostar do sling - ou fui eu que aprendi a colocar? Às vezes reclama quando o coloco lá, se estica todo e chora. Mas é só andar pela casa por 5 minutos que ele dorme um soninho gostoso e pesado. Se acorda, tem que descobrir cabecinha, senão ele fica nervoso - e aí ele dorme de novo.

- Hoje tomou as terríveis vacinas dos 2 meses. Gente, eu sei que é um mal necessário, mas olha... que dó! Disse para ele que não vou mais deixar ninguém dar vacina nele, porque é pecado demais! Mais uma vez não consegui segurá-lo, marido ficou com ele e eu fiquei lá fora. Chorava de soluçar ouvindo o chorinho dele lá dentro, até agora dói até o coração ao lembrar. Logo que saiu da sala dormiu e eu achei que seria tranquilo. Ledo engano. À tarde, ele estava mamando tranquilo quando, de repente, do nada, começou a chorar da maneira mais dolorida possível. Gritava, gritava, soluçava, as lágrimas escorrendo. Nada o acalmava. Quando ele finalmente dormia, se assustava no sono e, com o espasmo, doía a perninha e começava a chorar de novo. Até dormindo ele gemia. Teve 38,2 de febre, o colocamos no banho, e ele gritando. Que desespero! Marido e eu tentando ficar fortes para acalmá-lo, mas era difícil segurar as lágrimas. Finalmente conseguimos falar com a pediatra e, depois de dar umas gotinhas de Tylenol, tudo melhorou. Ele até voltou a sorrir!
Uma coisa eu sei: dor e doenças em bebês e crianças deveriam ser proibidas. Juro.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Nascimento - O relato de parto do Bento (parte III - final)

Eu tremi durante o TP. Mas tremi muito. Constantemente. Não conseguia parar, minhas pernas se debatiam loucamente e isso me irritava. Frio, frio, muito frio. Me cobre! Até chegar a contração. E aí voava coberta para todo lado, muito, muito calor!

Chegou a anestesista. Senta na maca, apoia na enfermeira. Fica bem imóvel agora. Rá! Como assim? Eu tremo, Dra! Muito! Contração. Não se mexe! Não dá! Pronto. Daqui a pouco melhora.

Aos poucos a dor foi aliviando. Eu era uma nova pessoa! O sono passou e a festa se instalou na sala. Todo mundo conversando, rindo, uma beleza. Espero 40 minutos e a Dra. Cátia pede para que eu caminhe para auxiliar a dilatação. Ainda sinto dor, mas bem mais fraca. Saio para o corredor, marido me acompanha e carrega o soro. Ando. Volto, todo mundo dormindo, exausto, devem ser umas 5h00. A dor está voltando a ficar forte. Elas dizem que é melhor reforçar a anestesia antes do pico da dor, então recebo mais uma dose. Dra. Cátia verifica o cardiotoco e vê que as contrações estão mais espaçadas. Droga, é a porcaria da anestesia. Dá-lhe ocitocina. Tudo o que eu não queria! Mas agora não tem mais jeito.

Esta dose foi mais forte, não sinto mais nada. Fico triste, não era isso que eu queria. Mas vamos lá. Dra. pergunta se estou com vontade de fazer xixi, às vezes a bexiga cheia dificulta a descida do bebê. Digo que não sei, não estou conseguindo sentir. Ela pede que eu faça força enquanto me toca. Faço xixi nela e nem percebo. Vergonha define! Rs! Agora acho que vai.

Toque. 9 cm. Está perto, muito perto! Começo a entender o que aquilo significa. Comento com marido: “amor, o Bento vai chegar! Todo este processo vai levar ao nascimento dele!” Parece que a gente se esquece disso por alguns momentos. Me emociono com esta constatação. Começo a me preocupar. Cadê a pediatra que não chega? Pronto, chegou. Fofa! Ufa! Conversa conosco e diz que vai tomar um café, mas brinca que nunca consegue e que dá sorte. Me preocupo, será que dá tempo?

Toque. 10 cm com um rebordo. OMG! Sento no banquinho. Marido senta atrás de mim e me escora, enquanto Dra. Cátia está sentada no chão. Faz força. Cadê a pediatra? A anestesia foi forte demais, precisamos sentir as contrações com a mão na barriga. Droga, não queria estar tão anestesiada assim! Mas agora é tarde. Me seguro no banquinho e faço força. Muita força. Acaba o ar, inspiro, seguro e foooorça. Dra. Cátia pede para a força ser mais longa. Vou tentando. Ela diz que já vê a cabecinha. Tira uma foto e me mostra aqueles cabelinhos surgindo. Dra. Sandra, a pediatra, volta, rindo, e diz: viu? É só eu sair que engrena! A anestesista, que também havia saído há pouco, entra na sala perguntando: e aí? E se assusta ao ver a cabecinha saindo. Rimos e continuo fazendo força. Maíra tenta escutar o coração do Bento. Nada. Elas se assustam, mas eu estou calma. Sei que está tudo bem. Muda o aparelho, muda a posição. Lá estão os batimentos, ótimos como sempre!

Mais fotos, mais cabelinho aparente. Minha sensibilidade começa a voltar. Sinto que tudo está se esticaaaaaando e sei que é sua cabecinha saindo. Dra. Cátia, suave como sempre, diz: devagar, agora, devagar. Assopra o Bento para fora, só assopra. E assim, em um sopro, a cabecinha vem. Bravo, ele começa a resmungar ali, com o corpinho ainda dentro de mim. Na próxima contração, mais um sopro. E ele chegou.

Nem sei descrever o que senti. Peguei-o no colo imediatamente, tentando acalmar aquele corpinho tão pequeno, mas tão forte. Ele gritou, chegou à vida! E chorou. Pulmões fortes, garganta limpa, mostrou a que veio. Nem consegui chorar, era muita emoção! Benvindo, meu amor! Benvindo! Te amo, filho!

Olhei para trás, procurando marido, que se ocupava de avisar do nascimento por whatsapp. Como assim? Presta atenção aqui! Rs! Dizem que a conversa foi assim: “Está quase, já dá pra ver a cabecinha. Tá nascendo, saiu a cabeça, tá quase... Perdi!”. É cômico, mas poxa! Não foi assim que imaginei.

Mas não importa. Ele chegou. Lindo, saudável, APGAR 10/10. Estamos todos em êxtase, a sala vibra com uma aura clara. Ainda no banquinho, com ele no colo, sinto algo saindo e chamo a Dra. Cátia: acho que é a placenta! Corre de volta! Ploft! Saiu, fácil assim. Espera o cordão parar de pulsar, marido corta o elo que nos ligava como um. E agora somos dois. Dra. Sandra o pega por um momento, não mais que um momento, e pesa seus 2.725kg. O traz de volta para mim e ali ficamos. Grudou no meu peito, e eu me grudei nele, como se o fizéssemos por toda a vida. E mamou o amor que eu transbordava, e nos conhecemos, e nos amamos por quase 40 minutos. Chegou às 7h14, horário de verão. Quase 24 horas após o rompimento da bolsa. E ele veio como eu sempre soube que viria, naquela manhã de domingo que o anunciava desde a gestação, quando eu assim o cantava:

“Na bruma leve das paixões
Que vêm de dentro
Tu vens chegando
Prá brincar no meu quintal
No teu cavalo
Peito nu, cabelo ao vento
E o sol quarando
Nossas roupas no varal...

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...

A voz do anjo
Sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido
Já escuto os teus sinais
Que tu virias
Numa manhã de domingo
Eu te anuncio
Nos sinos das catedrais...

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...”
Alceu Valença

A sala de parto é só alegria. Abraços, beijos, fotos, parabéns por todos os lados. Pega lembrancinha do nascimento para todo mundo, eu que fiz! E assim, uma por uma, as queridas que participaram do momento mais mágico da minha vida vão saindo da sala. E restamos nós três, nos conhecendo, nos reconhecendo como uma nova família.

Ficamos por ali por algum tempo, até que chega a enfermeira. Têm que levar meu pequeno para passar pela tal alfândega. Droga! Não estou pronta para me separar daquele corpinho tão indefeso, tão meu, aquela parte de mim que agora não é mais. Começamos a aprender que somos dois assim, tão rapidamente, tão abruptamente? “Não vai demorar não, né?” pergunto. Marido vai junto acompanhar e eu fico ali na sala por mais alguns minutos, até que outra enfermeira vem me buscar. No caminho, ouço um chorinho, forte, e sinto no meu coração de mãe que é meu pequeno clamando por estar onde pertence: o meu colo.

Chego no quarto, sozinha e esfomeada. Cadê todo mundo? Estão lá, babando no pequeno pelo vidro. Chegam mostrando fotos dele, sujinho e peladinho no berço aquecido. E contando que, em meio a três bebês, marido já apontou logo ele: olha o nosso amorzinho lá! Logo ouço um barulho no corredor e digo: deve ser ele! No fundo eu já sabia que era o lanche, mas não custa sonhar, né? Rs!

Marido dá uma saída rápida no quarto e toca o telefone. É da enfermaria, pedindo que levem a roupinha dele, que já o trariam. Que emoção! Logo ele chegou, ainda sujinho de vérnix, no macacão  listrado de macaquinho que eu escolhi com todo o carinho. Eu não me sentia cansada, estava extasiada! Depois de 4 horas fui liberada para tomar banho por conta da anestesia – mas não entendi nada, já tinha andado até na sala de Delivery! Foi um alívio, mas fiquei um pouco assustada com minhas partes baixas super inchadas... Abafa! Rs! Logo começaram as visitas e à noite a enfermeira quis levar ele para o berçário do andar, já que ele estava nauseando e vomitando de vez em quando, por conta do líquido amniótico. Eu relutei, mas deixei, já que ele só ficaria lá por 3 horas. Mas quem disse que fiquei tranquila? 5 minutos depois que ela o levou, eu já estava lá, observando pelo vidro. Logo ela voltou: ele não sossegou, queria a mamãe! Coisa linda! Mamou mais um pouco e ficou lá por pouco mais de 2 horas, para que dormíssemos – coisa que só aceitei depois de muuuuita insistência da enfermeira e do marido.


No dia seguinte, recebi a visita da Dra. Cátia que me passou as últimas recomendações e me deu alta. Não tive laceração, só uma triscadinha, nas palavras dela. Nada de pontos! Santo Epi-No! Cheguei a 27 cm nos exercícios, mas acho que eu era mole demais, já que o perímetro cefálico do Bento era de 33,5 cm! Enfim, no final do dia a Dra. Sandra deu alta para o Bento também e finalmente fomos para casa, no dia seguinte ao parto. E assim chegou o momento mais esperado da minha vida, aquele momento que eu tanto invejava quando visitava a maternidade: colocá-lo no carro e ir para casa! Nossa vida acabava de começar. <3

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

BC - Uma dica que me deram e que deu certo com o Bento

Pensei muito sobre o tema desta semana e confesso que estou com dificuldade para responder. Uma coisa é certa: quando se está grávida, chovem dicas e conselhos e palpites - quer tenham sido solicitados, quer não. Quando o bebê nasce, então, ferrou! Todo mundo tem alguma coisa para falar a respeito do bebê, mesmo pessoas totalmente desconhecidas.

Aliás, isto é uma coisa que tem me incomodado. Tenho a impressão de que todo mundo que olha para mim com o Bento tem um ar de repreensão no olhar. Parece que estou fazendo tudo errado sempre - e, realmente, todo mundo sempre acha que tem um jeito melhor de fazer o que estou fazendo. Acho que é aquela tal onda de enfraquecimento da capacidade da mulher. Uma mania de achar que não somos capazes de parir, de amamentar, de seguir nossos instintos e criar nossos filhos. Ainda quero fazer um post sobre isso.

Bom, com este cenário desenhado, obviamente eu já recebi dicas de todos os jeitos, sobre todos os assuntos. Como fazer o bebê parar de trocar o dia pela noite, como acabar com as cólicas, como trocar a fralda e não assar. Sei que o intuito do tema é exatamente saber sobre dicas objetivas assim. Mas sabe qual foi o melhor conselho que eu recebi? Siga seu coração e use a sua intuição. Ninguém conhece meu bebê melhor do que eu, e eu sou para ele a melhor mãe que poderia ser.

Quem me deu este conselho foi o Dr. Carlos Gonzalez, pediatra espanhol por quem ando in love ultimamente. Leio, leio e leio artigos e livros dele e cada vez ganho mais confiança na minha capacidade de ser mãe - a mãe que eu quero ser, a mãe que eu sei ser - mesmo sem ter anos de experiência, mesmo sendo ele meu primeiro filho. Tento buscar lá dentro as respostas para minhas perguntas, e elas vêm. É só ter paciência e saber confiar.

Confesso que não é fácil. Nem um pouco. Eu sou uma pessoa insegura, busco aprovação constante, então esta é uma tarefa especialmente difícil para mim. Mas, desta vez, eu tenho um motivo maior para seguir o que eu acredito com convicção. Sempre farei o que achar melhor para o meu filho. Mesmo que não seja o melhor para o resto do mundo.

Vou errar? Claro que vou! Assim como todo mundo errou, assim como uma atitude que funcionou com o seu filho pode não funcionar com o meu - afinal, pessoas não são todas iguais. Mas domingo ouvi outro conselho que guardarei e levarei para sempre. Frente a minha preocupação e questionamento sobre estar acertando ou não, meu vizinho disse: o que você fizer estará certo. Todo mundo te dirá como fazer, inclusive eu. Mas, seja o que quer que você faça, será a escolha certa.

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Por indicação da Naity, sou eu que escolho o tema para a blogagem coletiva da semana que vem (que, by the way, cai bem no dia do Natal!). Para comemoramos esta data, sugiro o tema: Como será o primeiro Natal com o baby?. Indico a Mari para sugerir o tema do primeiro dia de 2014!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Nascimento - O relato de parto do Bento (parte II)

Parte II

Continuo cronometrando, 2, 3 minutos. Às vezes 4, às vezes, 1 e pouco. Buraco. Lombada. Ai. Mais de um minuto de contração, lombar, barriga, cóccix. Aiai. Chegamos, são 21h20. Me alivio ao ver a Maíra nos esperando na porta – não queria chegar antes dela de jeito nenhum. Ela nos orienta: diz que a bolsa estourou às 18h00! Ok. Começamos a fazer a ficha, me chamam e eu entro com ela enquanto marido termina os procedimentos de internação. Deito na maca, cardiotoco. Tudo ótimo, mas a dor tá osso. A Maíra responde a maior parte das perguntas que a enfermeira faz. Chega a hora do toque. Misto de ansiedade, curiosidade e medo. Todo mundo fala que dói horrores! Estou super confiante que já estou bem dilatada, considerando o intervalo das contrações. E aí vem o balde de água fria: 2 para 3 cm. Putz! Como assim? Chego a me perguntar se seria o caso de ir embora, esperar em casa até evoluir mais. Mas acho que nem deixariam isso acontecer.

Subimos para a sala de delivery, com várias paradas no caminho durante as contrações. Vamos só eu e uma enfermeira meio antipática – acho que ela não era muito fã de PN. Marido e Maíra foram colocar roupa cirúrgica. Logo ela chega e eu vou logo falando: só isso de dilatação? Acho que eu não vou aguentar. E ela diz “calma, não pensa nisso agora. Por enquanto você está aguentando”. Marido chega, todo lindo naquela roupinha alaranjada que mais parece de gari. Eu já estou com uma camisolinha que não cobre nada, ajudada por uma outra enfermeira fofíssima que diz adorar PN, ao contrário da maioria, segundo ela. A força já tinha começado por ela: muita gente aguenta, porque você seria diferente? Confio nela e vamos em frente.

A Maíra começa a me sugerir posições. Sento na bola e ela faz massagens nas minhas costas. Ai, durante a contração, não! Dói mais! O tempo vai passando. Entro na banheira, saio, deito na cama, levanto, bola, ando. Tá difícil achar posição, ainda mais com aquele bendito acesso no meu braço – Dra. Cátia preferiu que eu tomasse antibiótico, então lá estava eu com aquele soro pendurado. Tomo um sorvete que a Maíra surrupiou da sala dos médicos dentro da banheira, para dar um gás. Já está difícil ter gás.

Começo a delirar, acho que é a tal partolândia. Sinto um cansaço intenso, durmo entre as contrações, acordo com a dor, mas já nem me sei mais. Olho para a maca de dentro da banheira e só quero não ter mais dor, deitar ali e dormir por uns 3 dias. Já estava pedindo anestesia. Não sei que horas eram, devia ser por volta de meia-noite. A partir daí já não sei muito bem a ordem das coisas. Só sei que eu implorava por um alívio da dor. O que me incomodava, ao contrário do que leio por aí, não era a dor na barriga ou na lombar. Era a pressão. Uma pressão no ânus fortíssima, parecia que ia me rasgar. Comecei a brigar com as contrações, torcia para elas não virem e, quando chegavam, puxava o corpo para cima. A Maíra dizia: para baixo, respira para baixo, abre a pélvis. Eu tentava, mas doía muito.

Chegou comida, não conseguia comer. Precisava, mas não conseguia. Me sentia enjoada. Vomitei. Implorava por anestesia. Dra. Cátia sugeriu tentar um buscopam para aliviar, não era bom tomar anestesia antes dos 5cm, podia comprometer o andamento do TP. Maíra me avalia: 3 para 4cm. Quase morri! Como assim? Com certeza eu não aguentaria, depois de tantas horas só dilatei 1cm? Devia ser umas 2h00 da manhã. Ela diz que o colo não está sendo forçado para baixo nas contrações. Tento fazer exercícios na bola, está difícil demais. Me rendo. Quero ficar na banheira e quero anestesia.

Por puro azar, a banheira, que é o que mais me alivia, também reduz minhas contrações. Mas neste momento nem quero mais saber, só quero parar com a dor. Fico ali mais um pouco e finalmente a Maíra diz que a Dra. Cátia já está a caminho e a anestesia será dada. Respiro aliviada, estava totalmente certa de que isto era necessário para a evolução do TP. Minha resistência estava atrapalhando. Pelo menos o Bento estava ótimo. Mais que isso, os batimentos dele aceleravam durante as contrações, ao contrário da maioria dos bebês que apresentam queda. É um farrista, adora um abraço apertado! <3


Deito na maca e começo a observar o relógio. São mais de 3 da manhã. Clamo pela Dra. Cátia e a Maíra me assegura que ela está a caminho. Os minutos não passam. Ela chega, finalmente. A sala parece se encher de paz, que aura linda ela tem! Chega carinhosa, fofa, com fala mansa e baixa. Já começo me desculpando, digo que não aguentava mais, imploro anestesia. Ela garante que a anestesista já está chegando, só mais uns 15 minutinhos. Nossa, como eles demoram a passar! Ela me examina novamente e, surpresa, constata: 6 para 7cm! Marido, lindo, e sabendo da minha imensa  vontade de não tomar anestesia, tenta me convencer. “amor, falta pouco!” Mas para mim não dava mais, minha decisão estava tomada.