segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Nascimento - O relato de parto do Bento (parte I)

Há um ano e três dias, nascia este blog. Ele já era gestado no meu coração e no meu pensamento há muito tempo, mas foi só em 06/12/2012 que o pari, finalmente. Veio suado, dolorido, cheio de cicatrizes e histórias tristes para contar. Mas nasceu também como a lembrança que vem clarear o dia nublado com a perspectiva de dias melhores.

Começou pequenino, como uma sementinha de gergelim. Aquela mesma que, por tanto tempo, era o apelido carinhoso do meu pequeno Bento, que agora dorme ao meu lado. Eles cresceram juntos, lado a lado. Mais um seguidor, outro comentário carinhoso, barriga que cresce e bebê que engorda.

Aqui, geramos amizades, histórias, sorrisos, vitórias. E gestei o amor da minha vida. Como não achar que este cantinho trouxe sorte? E assim, para comemorar seu primeiro aniversário, relembrando o nascimento deste humilde, mas querido, blog, finalmente pari o relato do parto do Bento, o bebê gergelim.

Parte I

Sexta-feira, 18/10/2013. Eu completava 37 semanas de uma gestação saudável, linda, feliz. Não posso dizer que foi tranquila, apesar de ter transcorrido sem intercorrências, pois aqueles fantasminhas do passado ainda me assombravam. Mas foi deliciosa, isso foi. Comemoro o marco – agora Bento não é mais prematuro e pode nascer a qualquer momento. Quem diria que este dia chegaria? Eu, um ano atrás, não pensava que seria assim tão rápido. Mas está aqui. Feliz! Convido Bento a vir para este mundo, com este post, sem imaginar que ele aceitaria minha sugestão sem pestanejar.

Recebemos uma amiga querida para jantar e ficamos, eu, ela, marido e barriga comendo pizza, batendo papo e dando risada até uma hora da manhã. Marido e eu ainda aproveitamos o que seria nossa última noite como dois, conversamos, namoramos, rimos e finalmente dormimos quase 3 horas da manhã.

Sábado, 19/10/2013. 37 semanas e 1 dia. Acordo e olho as horas no celular. São 7h36. Meu estômago ronca e minha bexiga está estourando, como todas as manhãs destas últimas semanas. Sinto também um leve incômodo na barriga, acho que a pizza do dia anterior não me fez bem. Levanto e vou até o banheiro, sonolenta. Faço xixi normalmente e, quando me inclino para alcançar o papel higiênico, sinto mais líquido escorrer. “Estranho!”, penso. O sono fala mais alto que a fome e resolve voltar para a cama. Faço o famoso teste de deitar de lado e tossir, mas nada acontece. Decido que não era nada. Até fazer outro movimento e molhar meu pijama. Ops! Corro para o banheiro, me inclino e a água sai novamente. É transparente. Tento sentir o cheiro de água sanitária que tanto falam, mas nada. A essa altura o sono já passou e estou curiosa. Deixo o short molhado no chão do banheiro, me troco e vou para a sala comer alguma coisa para não acordar o marido.

Como, assisto um pouco de televisão. Banheiro novamente. Mais líquido. Desta vez o cheiro fica nítido e meu coração acelera. Começo a conversar com o Bento “Você quer vir, filho?”. Estou calma, feliz, tranquila. Decido não acordar o marido, ele só vai ficar ansioso e nervoso à toa. Nem sentia contrações ainda, só uma leve cólica de vez em quando. Ainda vai demorar. Isto se for trabalho de parto mesmo, vai que a bolsa nem estourou? Lembro que minha médica está viajando, de férias, e agradeço mentalmente o destino por ter conseguido me consultar com a Dra. Cátia, que a substituirá, na semana anterior. Começo a perceber que seu nascimento está próximo. Dia 19/10. Não quero que ele nasça em dia ímpar! Mas sei que ele só chega amanhã. Dia 20. Lindo! 20/10. Me acalmo e sorrio

9h46. Marido me chama pelo whatsapp. “Kd vc?”. Vou encontrá-lo e não consigo segurar o sorriso. Juro que tentei ser mais sutil para não assustá-lo, mas não consigo. Ele está no banheiro. Olho para ele, caio na risada e pergunto: você está pronto para ser pai? Ele se assusta e já pergunta o que aconteceu. “Acho que minha bolsa estourou”. Desespero total. Ele diz que reparou no meu short molhado, mas achou que era xixi. Já quer ligar para todo mundo, obstetriz, médica, pai, mãe, papa. E eu rolando de rir, não conseguia conter a risada. Tentava acalmá-lo. “Calma, amor! Lembra do encontro com a Dra. Betina, só temos que ir ao hospital com contrações de 3 em 3 minutos. Elas mal começaram!”. Resolvo tomar um banho. Delícia! Não paro de rir. Começo a me depilar e ele surtando do meu lado. “Pára com isso! Não abaixa, não faz força, não agaixa!”. E eu só ria – e continuava o que estava fazendo. Ia depilar com 38 semanas, não queria parir parecendo uma macaca, né?

Saio do banho e decidimos ligar para a obstetriz. Ela me atende, está em um evento em Diadema – o que é ótimo, visto que moro em São Bernardo do Campo. Diz que me liga quando sair de lá, o que acontece por volta do meio-dia. Ela chega, ouve o coraçãozinho do Bento, que está ótimo, mede minha pressão. Não faz o toque, já que estou com bolsa rota, para evitar risco de infecção. Já sinto alguma contrações, nada muito dolorido, a cada 10 minutos mais ou menos. Ela vai embora e diz para que eu me movimente, ande, passeie, coma, faça o que quiser. Vamos mantendo contato.

Almoçamos e decidimos caminhar um pouco na área de lazer do prédio. Mal saímos e um vento gelado nos atinge. Esfriou demais, não vai dar não! Voltamos e encontramos uma moça com uma criança no elevador que diz: olha mamãe, tem um bebê na barriga dela! E eu no meio da contração digo: é, tem um bebê querendo nascer! Rs! Marido diz que minha bolsa estourou, chegamos no nosso andar e vamos embora. Foi engraçado ver a cara de espanto dela.

Deitamos no sofá e cochilamos um pouco. De repente acordo, as dores estão mais intensas. Está passando campeonato de rugby na tv e marido capotado. Não consigo mais dormir, a dor não deixa. Fico em dúvida se começo a cronometrar ou não, tenho medo de me apegar a isso e travar o TP. Baixo um app que conta as contrações. A Maíra, obstetriz, me liga e diz que a Dra. Cátia acha melhor eu fazer uma sessão de acupuntura para acelerar o trabalho de parto, uma vez que já são quase 6 horas, quase 12 de bolsa rota, estou só de 37 semanas e não fiz exame de strepto. Comento que as contrações já estão mais fortes e frequentes e, sendo assim, desistimos da ideia. Está engrenando naturalmente.

Começamos a cronometrar, estão por volta de 8 em 8 minutos ainda. Vamos esperar mais um pouco, quando perceber que estão mais próximas contamos novamente. E assim vai caminhando. Sinto as contrações ficarem cada vez mais fortes, mais próximas e mais longas. Vamos arrumar as malas enquanto isso, e os intervalos já estão por volta de 5 minutos ou menos, as contrações com mais de um minuto de duração. Peço para o marido ligar para a Maíra, seria bom ela vir aqui me avaliar. Ela diz que deve demorar por volta de uma hora, seria melhor nos encontrar aqui ou no hospital? Decidimos esperar em casa e continuamos cronometrando. A dor começa a ficar mais forte, intervalos variam de 4 a 3 minutos e começo a ficar tensa. O trajeto até o hospital é de quase uma hora sem trânsito. Tudo bem que é sábado, mas vai quê, né? Peço para o marido ligar para ela novamente e recombinamos – vamos nos encontrar no hospital.

Meu cunhado chega para buscar a Catarina, nossa filha canina, e saímos apressados, aquele clima de festa, de chegada – e de dor. Eu me contorcendo na porta do carro e eles insistindo em instalar o bebê conforto. “Deixa isso pra lá!”. Pronto. Entramos no carro e vamos.

19 comentários:

  1. Nossa que tranquilidade, queria tantoo ser assim, eu sou super ansiosa com as coisas e acho que esse é um dos motivos de eu ter desistido do PN , além de outras coisas.
    E eu tb comecei a perder líquido e nunca senti o tal cheiro de desinfetante.

    Beijos

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  2. Ai que emoção!!
    Delícia ler essa primeira parte!
    Doida pra ler a segunda parte, vai sair quando? rsrsrs

    Beijo em você e no Bento!

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  3. Que coisa liiinda!!! Quanta tranquilidade! Queria eu ser tranqüila assim :D
    Beijinhos

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  4. Nossaa
    li tudo com o coração na mão
    parabéns pela tranquilidade
    estou curiosa para o fim do relato
    bjaoooo

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  5. heheh que maravilha a calma ajuda tanto nessas horas..queria ser assim tranquila mas acho que vou sair pulando gritando sei lá o que kkkkk

    beijoss

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  6. gnt quanta tranquilidade rs, to louca para ler a segunda parte!

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  7. Chorei. Se Deus quiser o dia que chegar a minha hora eu vou estar tão tranquila como você esteve!
    Parabéns mais uma vez Loroca!

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  8. Que lindo! Quero ser tranquila como você quando chegar a minha hora. To aqui aguardando ansiosamente a segunda parte!
    Rita

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  9. ai que tranquilidade, e que emoção!!! Esperando ansiosa pelo proximo post.

    Caio, o melhor presente

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  10. Oii!! Ainda bem que você ficou calma...Tô tensa só de ler o seu relato!! =)

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  11. Ownn, que lindo! Amei tua tranquilidade! Já tô ansiosa pelo restante do relato! :)

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  12. Oi! Que post lindo! Parabens por ter se permitido viver esse momento!
    Vi num dos primeiros post di blog que tem trombofilia, mas depois vc n comentou mais nada sobre as injecoes de anticoagulante. Voce tomou elas durante a gravidez do bento?
    MTHFR em homozigoze
    Rany

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    1. Rany,

      Sou homozigota para MTHFR também e sim, usei anticoagulante a gravidez toda. Aliás, tive que usar até 35 dias depois do nascimento - só não tomei quando entrei em trabalho de parto.

      É chatinho, mas a gente acostuma. E vale super a pena por esses pequenos!

      Se tiver mais alguma duvida, fique à vontade para perguntar!

      Bjs

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  13. Emocionante!!!!
    Ja estou ansiosa pela segunda parte!
    Bjus
    http://seraquevousermae.blogspot.com.br/

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  14. Ai meu Deus!!! Ansiosíssima pela segunda parte!! =DDDD

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  15. Que lindo!!!
    Uma mãe preparada e tranquila!

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  16. No dia que li não tive tempo de comentar!
    Mas que delícia!!! E felicidade tb!!!
    Aguardo ansiosamente a segunda parte!

    Bj bj bj

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  17. Eu estava perdendo isso!! Grazadeus que já vi que já saiu o segundo. hahah
    Que delícia ler que vc sorria no início do TP, segura e tranquila. Linda!
    (mas esse parto pra mim começou com aquelas BH do dia que ficou lavando roupa em pé, lembra? Mata a amiga do coração! hahahaah)

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